Em 10 anos, P.A.R.T.Y. Ribeirão atendeu mais de 6 mil jovens

Décimo aniversário do programa será comemorado no próximo dia 4, com palestras e exposição de quadros e um dos voluntários

O P.A.R.T.Y. (Programa de Prevenção do Trauma Relacionado ao Álcool na Juventude) de Ribeirão Preto está completando 10 anos no Brasil. Primeiro núcleo do País, já atendeu mais de seis mil jovens em 159 encontros. Para comemorar a data, será realizada uma cerimônia no próximo dia 4 de outubro, no Centro de Convenções Ribeirão Preto, com uma exposição de quadros do artista João Batista Elias Ribeiro, voluntário do programa, que começou a pintar quadros após um acidente que o deixou tetraplégico.
O programa, de origem canadense, tem como objetivo alertar os jovens sobre os riscos de consumir bebida alcoólica e dirigir. Através de uma parceria com várias instituições da cidade, como Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e prefeitura, os jovens assistem a várias palestras, vídeos e a depoimentos de pessoas que ficaram com sequela após algum tipo de trauma. O objetivo é que esses depoimentos sensibilizem os jovens para as consequências de seus atos e a forma como escolhas erradas podem afetar a si próprios e a seus familiares.

O P.A.R.T.Y. foi trazido do Canadá para o Brasil por uma iniciativa dos médicos Ana Helena Parra, que trabalha na Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto – Vigilância Epidemiológica, e Sandro Scapelini, atual secretário de Saúde de Ribeirão Preto. Ele é realizado no Hospital das Clínicas da cidade quinzenalmente, com alunos de escolas públicas.
A cerimônia do próximo dia 4 será aberta pelo secretário municipal da Saúde. O presidente da SBAIT (Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado), José Mauro da Silva Rodrigues, fará uma palestra sobre Trauma, acidentes de trânsito e sua prevenção. A SBAIT é a entidade que organiza o P.A.R.T.Y. no Brasil, com o apoio do CoBRaLT (Comitê Brasileiro das Ligas de Trauma).
Logo após Rodrigues, o professor do Departamento de Medicina Social da FMRP/USP Afonso Dinis Passos vai ministrar uma palestra sobre Vigilância do Trauma a Unidade de Emergência do HCFMRP. Ana Helena, que é coordenadora do P.A.R.T.Y. em Ribeirão, vai falar sobre o programa da cidade e sua multiplicação em território nacional. Além de Ribeirão Preto, o programa já tem núcleos em Campinas, Sorocaba, São José dos Campos, Canoas (RS), Vitória (ES) e São Luís (MA). O representante do P.A.R.T.Y. Campinas, Alcir Escócia Dorigatti, e a representante do núcleo de São José dos Campos, Nelsina Benetina do Carmo, também vão participar do evento, contando um pouco das experiências em suas cidades.

UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

Sr. João, à frente, com membros do P.A.R.T.Y. Ribeirão

João Batista Elias Ribeiro nasceu na roça e começou a trabalhar por volta dos oito anos de idade. Fez todo tipo de serviço braçal em plantação de cana e café. Aos 28 anos, mudou-se para a cidade, mas sua paixão mesmo é o campo. “Sou um caboclo na cidade”, define-se. Na cidade, continuou a fazer trabalho pesado e, em 1991, quando tinha 42 anos, virou motorista de caminhão, profissão que desempenhou por 15 anos, até que um mergulho mudou sua vida.

Em 2005, durante um passeio em um clube, foi dar um salto na piscina e bateu a cabeça. Fraturou as vértebras C4 e C5. Ficou tetraplégico. Mesmo com o carinho e apoio da família e dos amigos, entrou em uma depressão que o deixou trancado em casa por dois anos. Mas, durante uma sessão de fisioterapia, a fisioterapeuta disse que iria comprar tela, tinta e pincel para ele pintar. “Fiquei pensando: logo eu, que nunca fui para a escola?”, lembra. A ideia, que no início pareceu meio descabida, ganhou força e ele conversou com a família sobre essa possibilidade. De pronto, recebeu o apoio e o incentivo de todos. E foi assim que nasceu sua paixão pelos pincéis.

Ele contratou uma professora de pintura e depois outra. As duas deram aulas a ele por quase dez anos, mas eram apenas cerca de 10 horas por mês. O que contou mesmo foi o talento que ele tem e que, até então, sequer sabia que existia. Mesmo com as mãos atrofiadas, consegue dar formas a paisagens e imagens que tocam o coração de quem as vê. “A pintura veio para me dar força, a maior força abaixo de Deus, para eu poder superar muitos obstáculos, barreiras, preconceitos e a falta de acessibilidade”, afirma.
Ribeiro compartilha essa história com os alunos que participam do P.A.R.T.Y. Ribeirão Preto para que eles saibam como é viver uma vida com sequela de um acidente. Durante a solenidade, haverá uma exposição com 15 obras feitas pelo artista.

Informações à Imprensa:
Capovilla Comunicação
Patrícia Capovilla
(19) 99284-1970

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